Antes de qualquer coisa, vale apontar o básico - “Karate Kid” (Karate Kid, 2010) não tem karatê. A arte marcial japonesa só é mencionada brevemente no filme, e mesmo a referência do trailer (em que Zheng, zombando, chama Dre de “Karate Kid”) foi cortada da edição final do filme. Na prática, parece que a razão básica para o uso da arte marcial foi usar Jackie Chan como mestre, aproveitando a fama do ator com lutas.
Por outro lado, se é que a China é mesmo apenas uma desculpa, a produção do filme soube aproveitá-la bem. Vemos belas paisagens e cenários, influências na trilha sonora e muito do próprio imaginário e cultura chineses são utilizados no roteiro. A idéia toda poderia ser executada no Japão? Não sem muitas mudanças.
A idéia do “Karate Kid”, porém, é utilizada como formato: do mesmo jeito que contávamos com Daniel-san e Sr. Miyagi, temos agora o “Xiao” Dre (“Pequeno” Dre) e Mr. Han. A execução, como um todo, é uma coleção de clichês de todos os tipos, desde relações entre os personagens - rivais, um par romântico atrapalhado pelas circunstâncias, um mestre e um discipulo indisciplinado -, cenas de ação e conceitos, como os óbvios “treinos inúteis” que na verdade são cheios de sabedoria. Referências ao original também surgem aqui e ali, como o carro de Han/Miyagi ou a mosca e os palitinhos.
Do mesmo modo, o filme alcança grandes méritos quanto ao inspiracional. Uma das grandes razões que Karate Kid é um clássico é o envolvimento que ele cria entre o drama de Daniel e a plateia. Enquanto Dre - principalmente por ser mais jovem - não é tão envolvente quanto Daniel, o espectador pode se pegar furioso com os antagonistas, torcendo pelos heróis, impressionado com os treinamentos e vibrando nas cenas de luta (além de, claro, dar algumas risadas).
O elenco mirim é surpreendentemente competente, com lutas que parecem mais críveis do que muitas produções usando adultos. Na hora do drama, porém, não espere muito. Wenwen Han e Zhenwei Wang fazem seus papéis, mas não saem muito da “fôrma” dos personagens. Já Jaden Smith, mais experiente, se sobressai e convence. O par romântico Dre x Mei Ying, assim como parte das piadas e interações entre as crianças não são exatamente o que o público mais adulto busca no filme, principalmente para quem no passado acompanhou o casal Daniel e Ali.
A surpresa maior, porém, fica para Jackie Chan, que abandonou completamente os trejeitos, caras e bocas cômicos que nos acostumamos para apresentar um personagem sério, capaz de transmitir drama, assim como conquistar a empatia do público sem ser pelo riso. Isso não quer dizer que ele não seja usado no humor, pelo contrário, mas o fato é que sua presença não remete necessariamente a risadas. Conseguimos vê-lo como um mestre, e no melhor espírito da série é ele que transmite toda a lição de respeito, atenção e foco. “Seu foco precisa de mais foco!”
No final das contas, o espírito do passado está aqui, com mudanças. Não espere nada novo, prepare-se para fazer uma contagem de clichês e alguns partes de “vergonha alheia”, mas também reserve ânimo para se impressionar nos devidos momentos.











2 comentários:
Criei um blog sobre meu time de coração que é Fluminense e gostaria de perguntar
se você poderia me ajudar fazendo uma parceria de link comigo,desde já muito
obrigado e parabéns pelo seu blog:
http://fluzaoeterno.blogspot.com/
Fluzão Eterno
infelizmente esse filme nao tem nada a ver com karate e sim kung fu,é uma falta de respeito muito grande com os praticantes de karate de todo o mundo,achei uma verdadeira palhaçada esse filme.um abraço para todas do garotas do karate. oss!
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